Sejam bem-vindos a este espaço todos os músicos e amantes de música. De boa música. Agradecemos a divulgação tanto por parte dos leitores como das bandas que nos visitem. E a todas as bandas que queiram ser aqui divulgadas/lembradas/relembradas - comuniquem! (e-mail em "contactos" ).
Stay Metal! \m/ (...e não só :D)
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

THE DEAD OF NIGHT - "Inert" [CD-R] - 2010


THE DEAD OF NIGHT
"Inert" [CD-R]
2010

Sabia de antemão o que iria ouvir, mas mesmo assim a curiosidade e expectativa foram grandes. Preparei o ambiente: luz fraca, incenso e o som a sair livremente das colunas. A capa começa a sugerir paisagens e sentimentos, mas importa traduzir tudo para que “tudo” encaixe, porque para além da capa sugestiva, o nome do projectio é igualmente sugestivo, tal como o título do primeiro lançamento em formato CD-r, “Inert”.
Com bases interessantes (clássico, ambiente) para criarem esta arte, Shadow e Morgana Duvessa deram à luz uma escuridão de onde escorre subtileza, paisagens nocturnas e pouquíssima luz – apenas estrelas e luar.

www.myspace.com/nightdead
O estado de inércia realmente começa a ter efeito à medida que os ambientes se envolvem, não só com a nossa alma mas também com o nosso corpo, com aquilo que nos é mais individual… e só por isso, este trabalho merece o estatuto de arte interessante e merece ser divulgada (embora estas linhas sejam inteiramente subjectivas).
“The Gift Of Wich We Spoke” é o cair da noite… e como que por defeito (meu) surge-me o nome Nox Arcana. As influências são óbvias, mas não convém, nós, ouvintes, reduzir este trabalho à sombra das influências. O ideal é saborear o que os artistas nos oferecem.
Depois de toda a negritude, “One Breath In Catharsis” começa por sugerir ambientes onde reina o clássico, e onde impera o piano. Este merece realmente destaque porque está trabalhado de um modo interessante. Para acompanhar, a voz de Morgana Duvessa surge como soprano. Esta comunhão denota uma paixão pelo clássico, e não estranharia se ouvisse algo semelhante na Antena 2.
Não poderia deixar de destacar a “His Wicked Voice Returns”, porque parece-me que seja uma passagem muito interessante no “Inert”. Quem costuma ouvir ambient e artistas como Steve Roach, vai sertir-se em casa. O ambiente evocado nesta paisagem sugere a imaginação… é muito interessante.
O trabalho toma forma nestes ambientes, alternando com a voz soprano da Morgana juntamente com o piano que realmente merece atenção por estar tão cativante e tão… nocturno.

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Destaco outra passagem deste “Inert” que não posso deixar para trás – “Shallow Imagery”. Aqui jaz algo intrigante… um piano sensacional; a voz; o ambient… todos a comunicarem entre si e a evocarem um negrume muito subtil.
Já quase no final, “Ghost Of Perennial Mourning” vem confirmar a criatividade e a imaginação que os artistas detêm.


POST-SCRIPTUM:
Existe talento e vontade. “Inert” revela algo que atrai, um mistério para todos os que apreciam paisagens nocturnas e belas (nada de horror). Contudo, esta estreia está aquém do que o projecto poderá fazer se lhes abrirem oportunidades. Ouvir este tipo de sonoridade com uma qualidade melhor optimiza a experiência quase mística. Esperamos por ela.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Curtas - Nacional

Os portuenses Drop-D lançam “Prologue”. Mais um projecto português bastante interessante. Uma banda liderada pela bela Marina Faria, cuja voz em determinadas alturas pode parecer a Sandra Nasic (Guano Apes) e em outras quando puxa por si em vozes guturais poderá roçar algo a Angela Gossow (Arch Enemy), apresentam um Trash Metal Progressivo bastante interessante e harmonioso. Apesar de as músicas apresentadas na abertura do concerto dos Ramp no Bla-Bla em Matosinhos ao vivo poderem cair numa repetição pouco perceptível a verdade é que existe um enorme potencial neste 4 jovens portuenses a seguir nos próximos anos.


Quem dispensa apresentações são os Heavenwood que já têm título para o novo álbum “Abyss Masterpiece”. Segundo os Heavenwood este é “um álbum obscuro, profundo, melancólico e, acima de tudo, intenso em termos sonoros”. Sem dúvida o que se pergunta neste momento é: Quando Sai? Pois ainda não tem data prevista. Temos de nos roer de ansiedade por mais uns tempos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entrevista a Pedro Remiz, vocalista dos Darkside of Innocence



Olá Pedro! O projecto Darkside of Innocence começou há alguns anos, tenho vindo a contar com várias mudanças de elementos. O propósito do projecto, desde que ele existe, sempre foi divulgar a mensagem de Sophia. Para quem não sabe, podes explicar de forma sintética quem acreditam ser Sophia e qual o principal propósito da sua mensagem?

Olá Joana. Antes de mais, deixa-me agradecer pelo interesse demonstrado nos Darkside of Innocence. Não posso dizer que, conscientemente, essa tenha sempre sido a nossa pretensão pois isso foi algo que foi crescendo em mim desde os dias da criação de Darkside of Innocence e à medida que ia evoluindo enquanto ser humano. Acabou sim, ultimamente, por ser o conceito escolhido para cobrir os Darkside of Innocence. Sophia na sua etimologia significa conhecimento e a sua mensagem é bastante simples; baseada nessa mesma noção e na tua inteligência, saber os teus limites enquanto indivíduo de forma a que possas respeitar o próximo.


Tendo em conta que pretendem divulgar uma mensagem que muitos não conhecem, trabalhar nas letras torna-se mais exigente?

Para mim, uma letra é sempre algo muito importante e com certeza que se queres transmitir uma mensagem desta envergadura, a forma como a vais transmitir tem de ser muito calculada para que as pessoas não caiam no erro de assumir opiniões que em pouco ou nada têm a ver com o que se pretende passar. Eu sou, contudo, apologista do que é abstracto e de dar liberdade às pessoas para que elas imaginem o seu próprio universo e sonhem consoante aquilo que eu sinto, trabalhando desta maneira, o texto alegórica e poeticamente.


O lançamento do álbum de estreia, Infernum Liberus EST, foi o fim de uma fase para vocês?

Sem dúvida alguma o fim de um capítulo bastante positivo na história dos Darkside of Innocence, que nos marcou e fez evoluir muito enquanto artistas.


Este primeiro trabalho conseguiu bastantes críticas positivas um pouco por todo o mundo virtual. Há alguma faixa que destaques de todo o conjunto?

Realmente foi uma surpresa bastante agradável ler essas reacções, sem descurar é claro a enorme expectativa que já tinha perante o registo. Posso apenas destacar a faixa Angel of Sin e In Nomine Dementia, que acabaram por ser os temas que maior feedback receberam por parte do público.


Com este trabalho, os Darkside ficaram conotados com o estilo Symphonic Black Metal. Concordas com esta conotação?

Compreendo que estejamos associados a esse sub-género pela sonoridade que empreendemos em “Infernum Liberus EST” e por aquilo que procurávamos trazer para a banda. Creio no entanto que resumir os Darkside of Innocence ao Symphonic Black Metal acaba por ser redutor da música que tocamos e se eu já achava injusta essa conotação pela diversidade de elementos que incluímos no álbum, acho que o próximo registo demonstrará de vez e no fundo o que quero dizer. Daí termos ascendido a um novo género musical ao qual nos associamos hoje em dia chamado “Gnostic Metal”!






Agora, estão a trabalhar no álbum que se segue e já avançaram o nome. Porquê Sephiroth Complex?

Esse realmente era o nome avançado para o novo longa duração dos Darkside of Innocence e aquele que encontrara para melhor explicar em que estaria envolto o nosso próximo lançamento. Contudo decidimos repensar esse nome devido a algumas situações, o que faz com que esse ainda não seja o nome definitivo. Não obstante essa situação, o nome revelaria o que o álbum será; uma profunda introspecção ao ser humano na sua verdadeira essência e ideal. Sephiroth, segundo a cabala, é neste caso a árvore da vida e representaria o ser humano na sua demanda pela noção de eternidade. “Sephiroth Complex” explicaria a estrutura complexa que esse ser humano é e a batalha interior entre o ID e o Superego com que ele se depara, até chegar a Arcádia – ou neste caso o paraíso prometido. A tal noção de eternidade que mencionei a cima.


Este novo álbum irá seguir a mesma linha do primeiro em termos de sonoridade?

Em quase nada terá a ver com esse álbum e poucos serão os elementos de “Infernum Liberus EST” presentes no próximo álbum. Acho que é uma questão de ouvir o que temos para mostrar brevemente.


Diz aí uma grande razão para os leitores do nosso blogue se darem ao trabalho de ouvir Darkside of Innocence.

Não creio que haja uma grande razão para ouvirem Darkside of Innocence. É claro que convido as pessoas para conhecerem a música que fazemos e se gostarem, é sempre muito motivador para nós!


Obrigado Pedro pela disponibilidade, e boa sorte com a banda! \m/

Muito obrigado eu, pela excelente entrevista! Sem dúvida alguma bem estruturada e muito interessante! Parabéns pelo blog.

Que Sophia esteja convosco,
Darkside of Innocence – Sophia’s Heirs.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Dream of Poe -Lady de Shalott



A Dream of Poe é uma banda de metal Gothic/Doom portuguesa, originária da ilha de São Miguel nos Açores. Têm como principal tema as obras literárias de Edgar Allan Poe .

Formada por Paulo Pacheco, nos Vocais e Bruno "Spell" Santos, em todos os outros instrumentos.

Lady de Shalott é um mini-álbum como o anterior, de 36 minutos, mas consegue-nos dar momentos emocionantes, graças a um som que transita entre a atmosfera doom do género de Dawn e Dolorian, e aqueles mais próximos do doom / gótico de Anathema e similares.

O disco abre com a faixa, Lady Of Shalott , uma faixa lenta com um ritmo triste e solene.

Talvez seja bizarra a ideia, e talvez arriscada suceder a primeira faixa, com uma short version , que pode deixar um pouco “confuso” o ouvinte, podendo este acabar por perder o fio condutor do álbum.

No entanto, a terceira faixa If Only Tonight We Could Sleep, é muito boa e abre com uma parte instrumental muito lenta, que se alia a um poderoso movimento, a um saldo de destruição, acompanhada de um rosnar cantado enriquecido por alguns sons tipo chocalhos.

Laudanum abre com um vocal limpo que lembra bandas como WHW e, especialmente, Revelations.

Whispers Of Osiris, com o estilo vocal e o som de guitarras, é o último cair completamente na veia do doom metal puro.

O projecto é um vislumbre do que há para melhorar, pois na minha opinião tenho a certeza que o A Dream Of Poe pode ser mais ambicioso.


Track List:
1. Lady Of Shalott
2. Lady Of Shalott (short version)
3. If Only Tonight We Could Sleep
4. Laudanum
5. Whispers Of Osiris

Line up:
Miguel Santos (todos os instrumentos)
João Melo (vocais)


Post-Scriptum: Os A Dream of Poe são um grupo capaz de manter um equilíbrio entre os componentes do género Doom e Gothic. Vale prestar atenção a este grupo!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Thanatoschizo – álbum semi-acústico em Outubro

A banda de Santa Marta de Penaguião irá lançar em Outubro pela mão da Major Label Industries um álbum semi-acústico intitulado Origami.
Este registo irá ter novas abordagens a músicas dos registos anteriores com a participação de bandas convidadas como Fadomorse e Banda de Música Mateus, segundo o site oficial (www.thanatoschizo.com). Segundo os próprios iram existir mais surpresas como o uso de instrumentos como Balalaica, Cavaquinho, Teremim.
De certeza, um álbum obrigatório.

domingo, 22 de agosto de 2010

Löbo - Novidades e actualizações

Os Löbo, para os que ainda não conheçem, são uma banda portuguesa mais concretamente de Setúbal, praticam um fenomenal som instrumental, situado algures entre o drone, o ambient e um doom/down-tempo melódico (que é que interessam as "tags"??!) e têm surpreendido muitos com a sua música etérea e que nos convida a longas viagens, algo deveras pouco usual em terras de Camões... Infelizmente os Löbo sofreram recentemente a saída de dois dos seus membros - Luís Pestana e João Vairinhos. Apesar disto, nem tudo são más noticias e aguarda-se um lançamento (formato não especificado) para breve. Estão também, segundo a banda, a ser dados os primeiros passos na preparação do primeiro album de Löbo.
Outra boa noticia é a disponibilização de uma nova música intitulada "Nöite" no Myspace dos Setúbalenses, música gravada na mesma sessão do EP "Älma", mas que viria a não fazer parte deste.
Por último, e para completar o ciclo das (mui) boas noticias relativas aos Löbo, saiba-se que estes senhores disponibilizaram gratuitamente para download a demo "Dânaca".
Boas Viagens!
Post-Scriptum:
Espera-se, segundo a banda, novidades já para o proximo mês.
Podem ainda ler a review do EP "Älma" e a entrevista á banda aqui no Metrónomo.
Até lá, percam-se nesta "Nöite".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Metal no RRW (Anonymous Souls, April Never Ends, Artchoke, Gravity's Falling, Primal)


Arrancou a 28 de Maio a terceira edição do Rock Rendez Worten. O concurso propõe-se, pelo terceiro ano consecutivo, descobrir novos talentos da música portuguesa. Como habitual, um dos estilos / categorias em jogo é o metal.

Procurei qualidade sonora e originalidade. É claro que não consegui ouvir todas as bandas que estão a concurso (nem estive lá perto), mas ainda assim dei-me ao luxo de seleccionar 5 sons que, conhecendo ou não, me agradaram / surpreenderam de alguma forma.



1. Anonymous Souls

Começaram em 2001 e são de Gião, Santa Maria da Feira. Gravaram em 2002 a primeira demo e em 2005 o álbum "Condolences". Já se deram algumas trocas de elementos e a formação actual é: André (teclas), Manu (baixo), Miguel (bateria), Ricardo (guitarra) Jorge (voz) e Rui (guitarra). São donos de uma sonoridade death / trash melódico e as suas músicas já denotam maturidade na composição.




2. April Never Ends
Perfil no rrw:

Nasceram em 2006, provenientes de Sintra (Lisboa) e contam ainda com muito espaço para evoluir. Tal como os próprios consideram, a principal característica da banda de metalcore é a conjugação entre a melodia e a agressividade. Nas partes melódicas ouve-se uma voz que tenta expressar essa melodia; enquanto que nas partes agressivas a voz que se ouve é igualmente agressiva. As duas vozes vêm da mesma pessoa, Hugo Lopes. Os restantes elementos são: Frederico Arriaga (guitarra principal), Sérgio cruz (guitarra de ritmo), Diogo Ameixas (baixo) e Abel Sousa (bateria).




3. Artchoke

Esta banda de metal progressivo vem de Matosinhos e é dona de uma qualidade sonora surpreendente. Os actuais elementos da banda são: Ricardo Ramos (guitarra), Ricardo Chaka (voz e guitarra), Tiago Antunes (baixo) e Filipe Silveira (bateria).




4. Gravity's Falling

Oriunda do Algarve, a banda de metalcore formou-se em 2007. Ganharam o primeiro Rock Fest em Loulé. Apesar de apenas terem disponível um original e um cover, é perceptível a qualidade que pode ser originada a partir daqui. Deu-se recentemente a perda do vocalista, sendo o lugar agora ocupado por Ruben. Quanto à restante composição da banda: Pinto (guitarra), André (guitarra e voz), L.A. (baixo) e Fábio (bateria).




5. Primal

Proveniente de Viseu, esta banda tomou a opção de prescindir do baixo como uma maneira de formação de identidade. As restantes guitarras e bateria são processadas de modo a que essa inexistência do baixo não seja perceptível. Os Primal são donos de uma qualidade e maturidade de composição notáveis. Os elementos são: Miguel Cristo (guitarra), Hugo (guitarra), Hugo Carvalho (bateria) e Duarte (voz).




O concurso termina a 30 de Outubro. O regulamento pode ser consultado em: http://www.rrw.pt/regulamento


Post-scriptum: Votei nas 5 bandas, mas a minha preferência vai para Anonymous Souls, Artchoke e Primal. Tenho pena de não ter conseguido ouvir mais bandas e avaliar mais uma centena de sons mas penso que o que deixei aqui já é um "cheirinho" bom daquilo que se pode ouvir e que se faz em Portugal.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

divulgação - email de Mourning Lenore

"Caríssimos,
Serve o presente mail para informar que os Mourning Lenore disponibilizaram no seu Myspace (www.myspace.com/mourninglenoredoom) um teaser do seu álbum de estreia (Loosely Bounded Infinities) a sair em Setembro sob o selo da Major Label Industries.
Aproveitamos também para acrescentar que um pack que contém o referido álbum e uma t-shirt exclusiva já está disponível para encomenda no site da Major Label (www.majorlabelindustries.com).

Agradecemos a divulgação.
Obrigado.
Melhores cumprimentos,

Mouning Lenore
Atmospheric Doom Metal"
http://www.myspace.com/mourninglenoredoom

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Orfeu Rebelde - Cada Som Como Um Grito


Já tinha encontrado algumas referencias a este trabalho faz algum tempo, porém ainda não tinha tido oportunidade de o escutar. É, sem sombra de dúvida, um album que merece ser escutado, degustado, sentido e ouvido novamente. Ficam com sabor a pouco estes 13 minutos em português... Tudo nele se conjuga perfeitamente. Desde os ambientes, aos vocais de Rui Sidónio e Fernando Ribeiro, aos arranjos de Pedro Paixão. Todos estes elementos ficam formidáveis nas palavras de Torga.
Assim sendo fico-me apenas pela recomendação deste album. Façam o download aqui (apenas precisam de fazer um rápido registo) e oiçam!

Fica uma música e as palavras de Fernando para vos aguçar o apetite.  \m/


"Este trabalho brota de diversas nascentes que, em boa hora, se reuniram dando origem a este turbilhão de palavra, voz e som que o colectivo O.R. vos apresenta. A primeira palavra vai para o poema de Miguel Torga que me fascina e provoca desde a tenra maturidade. Todo o poema é um desafio feito através da voz, do canto, do clamor, da angústia assumida. Para me ajudar a vocalizar esta revolta e conquista convidei o (Rui) Sidónio dos Bizarra Locomotiva que já me acompanhou noutros cantares de terror e beleza. As suas qualidades narrativas são preciosas, são poesia dita pelo músculo e muito lhe agradeço a honra de seu grito neste projecto.
Por fim, dirigi-me à pessoa, que na sombra ou fora dela, mais tem feito pela minha banda de sempre, pela minha única banda, os Moonspell, e que, mais uma vez, não renegou a prometaica tarefa de musicar, com classe e escuridão, as palavras do Torga, reunidas por mim e divididas por ele, entregues à nossa voz e às suas guitarras e ambientes. Profundo e eterno agradecimento. Cada som como um grito é um trabalho diferente. Dizemos o Português gritando, o Português de Torga, duro mas belo, cerimonial mas envolvente."
Fernando Ribeiro, in optimusdiscos.com

terça-feira, 13 de julho de 2010

THANATOSCHIZO - Schizo Level - 2001


THANATOSCHIZO
"Schizo Level"
2001

Já passaram sensivelmente nove anos desde a largada deste “Schizo Level” dos transmontanos ThanatoSchizo. E mesmo passados esses anos, este trabalho ainda deixa marca e dá cartas no seio do metal nacional e estrangeiro.
O meu regresso ao passado tem como causa a genialidade deste trabalho e da capacidade de nos envolver nas suas múltiplas facetas e ambientes. Porque tal como o nome do trabalho indica, aqui está apresentado num suporte artístico um ambiente esquizofrénico, com os seus altos e baixos (dependendo do ponto de vista) e com os seus momentos de caos e de harmonia.

“Schizo Level” abre com passos na areia ao som de um estranho trompete que anuncia o rasgar da lucidez para a abertura de um ciclo de esquizofrenia. “RAW” é a brutalidade deste álbum, com todos os instrumentos a descarregar momentos de Metal pesado. Tal como a voz gutural e rasgada que parece que parece que ultrapassa o limite do humano (talvez tenha sido esse o objectivo). “Suturn” é o seguimento lógico da “RAW”.
Mas o ambiente começa a mudar a partir da “Patheon (as in Strip-Tease)”, onde se ouve a harmonia de alguns instrumentos orientais, fazendo-nos recordar o seu Yin-Yang (símbolo que representa a dualidade de energias opostas: nocturno e diurno; por sua vez, este símbolo pode ter muito que ver com o conceito deste álbum dos ThanatoSchizo, não fosse o seu trabalho ter estes altos e baixos de caos e harmonia).
“Nightmares Within” mantém esse lado étnico ao som de uma flauta, ao mesmo tempo que anuncia uma estrutura musical que liga e dá consistência ao álbum todo.
“Cântico Negro” é a recitação perfeita do poema de José Régio (nem ele o poderia ter evocado tão bem), e que dá ainda mais consistência e argumento ao conceito de “Schizo Level”. Mas este trabalho é, para além da sua vanguarda no estilo Metal, um evocador do Doom Metal tal como se pode ouvir em praticamente todas as músicas, principalmente na “A Day... (Rebind of thy Restless Mess II)”.
O grupo manteve a postura e coragem para nos apresentar um riff que tresanda a Anathema no seu tempo de “The Silent Enigma” (para os mais velhos: digam lá se não se lembram da abertura do “The Silent Enigma” quando ouvirem esta música dos nossos transmontanos?). Mas esta observação não é, de longe, pejorativa; é, antes, o enaltecimento da banda por terem tido a coragem de se afirmarem com os seus gostos e influências em todos os níveis.
“Nausea” é, na minha opinião, o ponto alto do albúm. Uma música que tem o feeling se uma evocação, como se fosse um desafio ao divino (cortesia de William Shakespeare). Além disso, há uma comunhão perfeita (daquelas que arrepia) da guitara com a voz/texto. Ouçam e leiam:

"Be bloody, bold, and resolute; laugh to scorn
The power of man; for none of woman born
Shall harm...(Suturn)!
 
Come, you spirits
That tend me on mortal thoughts, unsex me here
And fill me from the crown to the toe top-full
Of direst cruelty. Make thick my blood;
Stop up the access and passage to remorse,
That no compunctious visitings of nature
Shake my fell purpose, nor keep peace between
The effect and it."
(Shakespeare's Macbeth)
 
A sickness inside of me
And inside of the world
And you?
You're above all that
Trying to mess all around
Because of your stupid pride.
And I hate it.
I hate it all.
I hate everything.
All...
 
O cilco termina com a “Weird Curse - Metamorphosis; The Return; The Nightmare After”. Inicialmente esquizofrénica com sons electrónicos, o álbum regressa ao início cujos passos na areia trazem melodia, paz e harmonia – para redescobrir sempre!

Post-Scriptim:
“Schizo Level” é um marco na história do Metal nacional. Foi um murro na cara a todos aqueles que pensavam que os Moonspell eram “a banda portuguesa”. ThanatoSchizo oferece com este trabalho uma abertura para sonoridades refrescantes, onde há um fio condutor que liga a melodia e o Doom/a harmonia e o caos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mourning Lenore


São para já apenas duas as faixas que nos dão a conhecer a sombria personalidade de Mourning Lenore. Torna-se por isto difícil fazer uma crítica justa ao trabalho desta jovem banda oriunda de Lisboa. Mas ainda assim, não quis deixar de escrever sobre uma banda que já mostra uma grande maturidade na forma como toca a sua música e se dá a conhecer com um carácter bem definido.
Este colectivo português impulsionado por João Arruda (guitarra) conta com João Galrito na voz e guitarra, com Joana Martins no baixo e Emanuel Henriques na bateria.
 Mourning Lenore apresenta-nos temas líricos já familiares aos ouvintes do Doom Metal. Neste caso a morte, o desespero, a perda e o vazio são explorados através de sonoridades ora cadenciadas ora mais ritmadas, influenciadas (sem nunca perder a sua identidade) desde My Dying Bride e November’s Doom, a laivos de Anathema (embrenhados num misticismo à la Allan Poe), chegando mesmo no caso da “Patterns of Emptiness”, ao bom velho Jazz proveniente d’um estético solo de guitarra a meio da faixa. Os vocais de Galrito, muito sólidos e sentidos, transmitem ao ouvinte dor, angústia, raiva e desespero sob as mais diversas intensidades, através de seguras variações desde o gutural ao sussurrado, obrigando-nos a vivenciar com o vocalista os sentimentos por eles transmitidos e consequentemente acompanha-lo na sua “caminhada”. Também na própria composição musical as variações estão bem presentes, tanto a nível instrumental como de ambiente, algo que é sempre bem-vindo neste estilo, ajudando o ouvinte a não se “cansar”, o que tantas vezes acontece devido a característica longa duração das músicas Doom. Estas variações dentro das faixas permitem uma audição, apesar dos temas soturnos, bastante agradável e contínua, que progressivamente nos absorve no ambiente misterioso e sombrio habilmente criado por Mourning Lenore.

Resta-me dizer que as duas faixas da banda foram já apresentadas em 2008, num split com Insaniae (edição comemorativa do 3º aniversário do blog Daemonium), estando também disponível a faixa “Patterns of Emptiness” na e-compilação www.circulodefogo.com.
Espero com ansiedade, ainda na primeira metade deste ano o primeiro full-lenght, intitulado de “Loosely Bounded Infinities”, sobre o qual farei, quando for lançado, uma critica mais justa e certamente repleta de boas (e negras) vibrações.




Post-scriptum:
Mourning Lenore presenteiam o ouvinte com um death/doom melódico, que sem tentar criar algo de novo, também não cai nos clichés excessivos do estilo. As músicas chegam ao ouvido com um excelente equilíbrio entre a agressividade e a calmaria, nunca abandonando um melódico ambiente de desespero tanto temático como sonoro, muitíssimo bem construído e interpretado.