ANATHEMA
“We’re Here Because We’re Here”
2010
Sete anos passaram desde o álbum de estúdio “A Natural Disaster”. Entretanto os Anathema presentearam os fãs em 2008 com o brilhante “Hindsight”, um semi-acústico que rearranja algumas das mais brilhantes composições deste colectivo. A espera foi longa, e eis que ele está aí com um título que já por si ilustra a posição dos Anathema. Terá valido a pena esperar estes anos todos?
Após ouvir alguns minutos da primeira música, “Thin Air”, podemos tirar conclusões imediatas. E elas serão decerto positivas. A composição chega a tirar o fôlego do menos apaixonado ouvinte, e não saberemos o que fazer à alma durante e após a audição. Encontramo-nos, portanto, perante um colosso de ambiente e de rock ao qual ninguém fica indiferente.
“Summernight Horizon” é uma música com um balanço genial, onde a comunhão com a bateria, piano e baixo é perfeita. Claro, toda a carga melódica é a cereja no bolo.
“Summernight Horizon” é uma música com um balanço genial, onde a comunhão com a bateria, piano e baixo é perfeita. Claro, toda a carga melódica é a cereja no bolo.
De seguida o colectivo apresenta-nos talvez uma dos mais belos set-list que um álbum poderia ter (contando, claro está, já com as duas primeiras faixas). Depois da mexida “Summernight Horizon”, o ritmo acalma (não o peso espiritual nem emocional) a partir da “Dreaming Light”.
Os mais atentos às letras começam a aperceber-se de que o álbum tem um fio condutor nas suas mensagens – love and happyness against fear and pain. As letras denotam mensagens de esperança, amor e felicidade – seja lá o que isso for, porque depende de cada um. Sejamos felizes nem que para isso tenhamos de mandar com a cabeça na parede. “Everything” é isso mesmo, uma mensagem positiva tal como todo o trabalho transmite. Aqui só deve haver sorrisos!
“Angels Walk Among Us” é talvez o tema mais introspectivo deste álbum. Os mais curiosos já o conheciam há algum tempo, porque foi disponibilizado pela banda; mas esta versão masterizada está bastante superior e recomenda-se – aqui a voz de Ville Valo (H.I.M.) tem presença.
“Presence” é o tema que nos ilumina. É o tema que nos coloca frente a frente com a essência do álbum. Façam um favor à banda: leiam as letras.
A mesma linha permanece na “A Simple Mistake”, um tema longo mas bastante conseguido, onde um ambiente envolve o ouvinte, onde aquele parece consumir este. Mais uma vez, a letra é um estalo na cara a todos aqueles que não arriscam a vida – “we are not just a moment in time…”.
“Get Off, Get Out” é um tema que poderia destoar do contexto ambiental do álbum. Mas mesmo este parece encaixar muito bem na dinâmica do trabalho. À medida que nos familiarizamos com o álbum, vamos descobrindo os seus segredos, os vários ritmos e movimentos que ele poderá ter e as várias experiências auditivas que ele oferece (tudo isto é claramente subjectivo).
“Universal” abre com um momento de doce melancolia. Um momento de beleza rara, pela qual o tempo pára… mesmo! Aqui a presença é dos Strings trabalhados pelo Dave Stewart, que também já participou em Porcupine Tree.
Para encerrar esta lição de vida, os Anathema reservaram uma banda sonora para dar movimento a um texto que é como uma conclusão de tudo o que esperaram transmitir ao ouvinte (decerto que todos os ouvintes sentirão este vício à sua maneira).
Em suma, temos aqui um grande trabalho. Para além da banda se ocupar da produção, “We’re Here Because We’re Here” tem mão de Steven Wilson (Porcupine Tree, Blackfield, No-Man) na mistura, e a grande presença de Jon Astley na masterização – Sr. que trabalhou com grandes artista como os The Who, Led Zeppelin, Eric Clapton, Abba, The Rolling Stones e Sting… só para nomear alguns.
Post-Scriptum:
Eles estão aí porque estão aí, e o mundo está perante eles de alma aberta para os receber. Todo o mundo vai tirar o chapéu aos Anathema por serem brilhantes a cada lançamento – mas isso é o que sempre dizemos quando o mundo recebe uma descarga sonora desta qualidade, vinda desta banda britânica. Acreditem que mesmo o público desligado e com pavor ao Metal irá gostar deste “We’re Here Because We’re Here”, precisamente por não ser um álbum de Metal. Temos entre mãos um poderoso candidato a álbum do ano.

