Sejam bem-vindos a este espaço todos os músicos e amantes de música. De boa música. Agradecemos a divulgação tanto por parte dos leitores como das bandas que nos visitem. E a todas as bandas que queiram ser aqui divulgadas/lembradas/relembradas - comuniquem! (e-mail em "contactos" ).
Stay Metal! \m/ (...e não só :D)
Mostrar mensagens com a etiqueta Reports. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reports. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de março de 2011

REPORT: ThanatoSchizO + ManInFeast - Hard Club (sala 2), Porto - 12.03.2011

O Metrónomo disse que estaria no Hard-Club para assistir ao concerto de duas bandas nacionais que respeita, e lá conseguimos assistir ao concerto no dia 12 de Março de 2011. Já na fila para a bilheteira deu para perceber que a adesão não iria ser muita, mas mesmo assim a sala 2 do Hard Club conseguiu acolher bastante pessoal.

A entrada foi da responsabilidade dos ManInFeast, que surpreendeu o ainda pouco povo que lá estava. A promoção ao recente EP “How One Becomes What One Is” foi o destaque da performance da banda, mas também houve espaço para um ou outro tema antigo, com roupagens actualizadas. O som esteve muito bom, ou não fosse no Hard Club, um grande espaço com excelentes qualidades sonoras. Mas a prestação da banda foi muito boa, os músicos mostraram que sabem encantar e hipnotizar plateias com o seu Rock atmosférico. Quem esteve lá e conhece o EP da banda, de certeza que não ficou indiferente, e talvez surpreendido pela capacidade que a banda teve de improvisar e dar outros andamentos aos temas do EP.

Depois de um breve check sound os ThanatoSchizO sobem ao palco ao som de folclore transmontano, e com a proposta de promover o mais recente lançamento, “Origami”, lançado em Fevereiro, após alguns adiamentos. A banda não perde tempo e inicia o set com, talvez, a mais bonita da noite, “Nightmares Within”. A transformação é tão grandiosa que a tornou num tema que nos toca à flor da pele - a banda de Santa Marta de Penaguião conseguiu arrepiar as pessoas que estavam no Hard Club.
Patricia foi uma boa frontwoman, apesar de ter confessado que não estava habituada (devido à saída do Eduardo, que outrora ocupava o lugar de frontman da banda). O set foi variado e não faltaram excelentes temas, como “Sublime Loss” mostrando um bom dueto da Patricia com o Guilhermino (aqui a tomar o lugar de vocalista e que muito bem se safou); “Sweet Suicidal Serenade” com um ritmo Bossa Nova e já a terminar a fabulosa “Pale Blue Perishes”, a destacar novamente a dualidade das vozes – um tema que marcou por essa energia, e foi talvez um dos mais fortes da noite. Pelo meio a banda tocou um tema que não se insere no “Origami”, e deixou o público adivinha-lo. A transformação é tão grande que tivemos dificuldade em adivinha-lo – “Suturn” foi o escolhido. Houve espaço, também, para improvisar e dar lugar ao Rock a que a banda esteve à altura e impressionou. De destacar os convidados que subiram ao palco quando a “Hereafter Path” foi evocada – nada mais nada menos que dois músicos para tocarem acordeão e clarinete.

POST-SCRIPTUM:
As duas bandas estão de parabéns pelo excelente trabalho que tiveram. Os ThanatoSchizO foram geniais, com grande energia e muito profissionalismo. Patrícia mostrou que tem uma voz muito boa, e os restantes músicos são muito impressionantes, incluindo o guitarrista que os acompanhou – e, claro, o baterista Paulo Adelino foi um resistente (não parava). As luzes estavam óptimas, e as imagens em movimento no fundo foram soberbas e deram um toque especial ao concerto.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

REPORT: Anathema + Slamo - Hard Club, Porto - 03.11.2010


As novas instalações do Hard Club proporcionam uma maior oferta e qualidade para espectáculos de vários tipos. E os sons mais pesados só estão a ganhar com isso, porque a qualidade que a sala oferece é realmente espantosa. E por isso, muito provavelmente os portugueses Slamo nunca soaram tão bem ao vivo como naquela noite. Durante sensivelmente meia hora a banda mostrou uma boa prestação, onde apresentaram o seu Rock com tonalidades melódicas e alguns arranjos mais pesados com pequenos rasgos de progressivo. O som esteve claro e evidente e sem falhas, tal como a actuação da banda.

Meia hora passou e meia hora se esperou pelos Anathema. Quando se pensava que iriam iniciar o espectáculo com a música que abre o recente “We’re Here Because We’re Here”, a brilhante “Thin Air”, eis que somos surpreendidos com a “Deep”, do pinkfloydiano “Judgement”. O set continua com a “Pitiless”, “Forgotten Hopes” e “Destiny Is Dead”. De seguida o set avança com o álbum “A Natural Disaster”, dando entrada à cantora Lee Douglas que surpreendeu todos com a sua magnifica voz, principalmente na música que dá nome ao álbum, na qual a vocalista brilhou e encantou com a sua presença. A música “Closer” marcou pelo seu ambiente psicadélico muito bem trabalhado pela banda. Destacou-se, também, a música “Flying”, onde o toque e beleza da música se conjuga muito bem com a poesia da letra – e de onde surgiu um dos mais bonitos solos de guitarra da noite. Entretanto somos brindados com material do “Alternative 4”, onde a “Empty” teve um impacto brutal no público; porque se já nas anteriores muitos cantaram, nesta todos cantaram – ambiente brilhante. Surge um down-tempo com a “Lost Control”, criando arrepios no povo todo, dando passagem à “Destiny”. O “A Fine Day To Exit” também teve presença, onde brilhou a “Temporary Peace”.
Uma hora passou e nem sinal de vida do novo álbum, até que o sempre bem-disposto Daniel Cavanagh anunciou que ele iria ser tocado na sua totalidade. A segunda parte do concerto foi, então, uma viagem completa pelo “We’re Here Because We’re Here” – e que foi igualmente brilhante! Nada falhou. Nada faltou.
Depois de terem tocado, e depois do encore, a banda actuou mais meia hora onde não faltou a “One Last Goodbye”, com a qual a sala cantou com o Vincent – desta vez o vocalista participou com o público, já que no último concerto não o deixaram cantar. Antes desta, Daniel aparece a solo com uma guitarra semi-acústica e oferece-nos a “Are You There?”. Já a terminar, surge um grande momento da noite – “Fragile Dreams”. A sala vibrou com uma descarga de energia fabulosa. Ninguém escapou.

POST-SCRIPTUM:
Foi um espectáculo brilhante. As duas bandas estiveram muito bem. Claro que o destaque cai para os Anathema; e de facto merecem porque foram simplesmente brilhantes e modestos. A postura da banda em palco é muito honesta demonstrando grande simplicidade e simpatia, o que ajudou a criar um ambiente intimista, tranquilo e muito bem-disposto, cujo meio de comunicação foi a música. Por outro lado o Hard Club está de parabéns pelo novo espaço que é muito bom pela sua qualidade. Posso afirmar que num concerto em recinto fechado nunca ouvi melhor qualidade de som do que neste concerto. Por isto e por muito mais que haveria a dizer, todos estão de parabéns.

sábado, 4 de setembro de 2010

VAGOS OPEN AIR 2010 - Report II


07.08.2010


O segundo dia começou com a genial actuação dos lisboetas The Firstborn, outrora chamados de The Firstborn Evil e com uma sonoridade Black Metal. Actualmente a banda refrescou o seu som e inspirações que puderam ser ouvidas na nobre actuação. “The Noble Search” teve especial destaque, tal como a presença do Hugo Santos, vocalista e guitarrista dos Process Of Guilt.

Directamente do Porto vieram os Oblique Rain para pisarem o palco. A actuação não foi má, mas ficou a sensação que deveria ter sido a banda a abrir o segundo dia. Não desvalorizando a performance dos músicos, os Oblique Rain ficaram um pouco aquém das expectativas. Contudo, ficou a promessa de um novo álbum para breve.

Ghost Brigade prometia abrir as portas à adrenalina neste segundo dia do festival. E de facto, os finlandeses conseguiram abrir essa brecha com o seu Metal com pitadas de Progressivo e daquilo que andam para aí a chamar de Post-Metal. Os Ghost Brigade trouxeram na bagagem o seu recente “Isolation Songs”, e por isso não faltaram temas como “My Heart Is A Tomb”. Em suma, a prestação foi boa para uma estreia em Portugal que convenceu quem assistiu.

A noite já se aproximava, num segundo dia totalmente distinto do primeiro no que respeita a estilos. Para muitos o melhor ainda estava para vir, e os Amorphis fizeram parte desses desejos. Meus caros, não exagero em afirmar que a banda que deu à luz o mítico albúm “Tales From The Thousand Lakes” foi a melhor da segunda edição do Vagos Open Air. Mas em todos os aspectos: o som esteve perfeito, a banda conseguiu colocar o recinto atento à sua prestação, o frontman da banda, o graúdo vocalista Tomi Joutsen, mostrou que consegue controlar um concerto com muito vigor e energia; e o tracklist foi memorável. “Silver Bride” abriu o concerto, mas rapidamente a banda brindou o Vagos com material antigo: “Tales From The Thousand Lakes” teve um saboroso destaque, e por isso não faltaram a “The Castaway”, “Into Hiding” e a aclamada “Black Winter Day”. Ficou a certeza de um grande espectáculo, e de um grande vocalista que facilmente utilizou tanto a melodia como a agressividade.

A noite cerrada ainda reservava duas bandas, e já se sentia o inquietante “bicho” de nome Carcass a aproximar-se. Mas antes da chegada, os norte-americanos Kamelot sobem ao palco depois de um secante sound check. E após algumas músicas, perguntei-me: para quê tanto tempo a fazer o sound check? Pois… a grande falha dos Kamelot foi a confusão na mistura do som. A performance da banda foi boa e mesmo com os problemas de som conseguiram animar os metaleiros lá do sítio. Destaque para a Sra. Vocalista de apoio que acompanhou muito bem o vocalista Roy Khan. Do set apresentado, não faltou a fabulosa “Karma” e a “Center Of The Universe”.

O Power Metal deu para aquecer as nucas dos headbangers, mas face ao que se aproximava esse esforço pareceu menor. O fecho da segunda edição do festival ficou à responsabilidade dos “velhinhos” Carcass. Mesmo com algumas falhas no som (não tão graves como as de Kamelot), o Death/Grind finalmente espalhou-se pelo recinto – e foi muito bem-vindo! “Corporal Jigsore Quandary” abriu o massacre e requinte do colectivo. Não faltaram outras maravilhas como “No Love Lost”, “Reek Of Putrefaction” ou “This Mortal Coil”. A prestação foi brilhante, e apesar de nada terem a provar, os Carcass mostraram como é rija a carne do Metal old school. São “velhinhos” mas continuam a dar cartas e ainda bem que aqui estamos para as receber. Para além do brilhantismo dos músicos, deve-se destacar as interessantes imagens que acompanhavam os temas – desde simbolismo até ao gore. A actuação terminou com a “Heartwork”. No final ficou a sensação de pouco.

Terminou, assim, a segunda edição do Vagos Open Air. O balanço foi positivo, embora com algumas falhas no que respeita à dinâmica da bilheteira. Em relação ao espaço, esta segunda edição trouxe consigo mais chuveiros, para bem daqueles que mais usufruíram da poeira. Mas, o número de WC's continuou drasticamente pequeno – o povo é muito para tão poucas casas de banho. Quanto à luminosidade nos intervalos, esta poderia ser um pouco mais intensa. Tudo bem que somos pessoal do Metal e até gostamos do dark side, mas um pouco mais de luz daria jeito para as pequenas caminhadas pelo recinto. Um aspecto positivo foi o aumento das barracas – especial para uma dedicada ao hidromel, que encaixou que nem uma luva na paródia e galhofa do folk/viking metal.

Neste segundo ano a guitarra ganhou raízes fortes.
No próximo ano cá esperaremos a terceira edição.

Metrónomo

VAGOS OPEN AIR 2010 - Report I

A expectativa era muita perante uma segunda edição de um festival com um cartaz prometedor. O sucesso do primeiro ano marcou todos os que lá estiveram, e a organização sentiu-se na obrigação de superar, ou manter, esse sucesso.
Com dois festivais de Metal cancelados, o Vagos Open Air viria a tornar-se numa espécie de peregrinação obrigatória para os metaleiros portugueses. Será que os dois preenchidos dias satisfizeram a grande expectativa dos cerca de 15000 que lá passaram?

06.08.2010

Chegámos ao recinto alguns minutos das 17h e já se ouviam os algarvios Prayers Of Sanity. O thrash metal destes rapazes soava musculado e arrasador – e de facto não deixou mágoa alguma durante a actuação. O pó do recinto já se sentia no ar, e o povo mais corajoso foi para debaixo do sol apreciar os “petardos” destes rapazes que vieram directamente do Wacken Open Air. (Pois é! Para quem não sabia, estes novos thrashers foram os vencedores do Wacken Metal Battle, e foram para o famoso festival representar Portugal). Na actuação no Vagos não faltaram temas como “Evil May Die” ou a “Religion Blindless”, que conjuntamente com as outras foram argumentos suficientes para soltar o pó e tonificar a adrenalina.

Os Miss Lava saltaram para o palco com o seu stoner rock e deram ao público uma experiência de psicadelismo e peso. Os lisboetas deram provas disso com temas como “Don’t Tell A Soul” ou a aclamada “Black Raibow”. O sol aquecia imenso, e a banda não conseguiu agarrar mais público que a banda anterior… decerto que a culpa foi mesmo do calor.


O sol já se dirigia para o mar, e os metaleiros começaram a aproximar-se mais do palco – ou será que queriam tanto ver a actuação dos Gwydion? A verdade é que esta banda já com 15 anos soube muito bem pegar no público que estava sedento de folk/viking metal – desta vez à portuguesa! Não sendo necessariamente vikings de sangue, os Gwydion levaram-nos a passear por paisagens montanhosas e geladas, cheias de mitos e mistérios e muita, mesmo muita cerveja. A boa disposição começou a sentir-se no seio do festival, com danças e moche à mistura e algumas canecas de hidromel. Tivemos pena que o som estivesse um pouco confuso.

A grande espera surge ao anoitecer. Os finlandeses Ensiferum aparecem prontos para a batalha e para a sua estreia em terras lusitanas. Resultado? Eles ganharam a batalha. Os portugueses ficaram de rastos com a prestação destes vikings. Apesar de alguns problemas técnicos, os quais foram superados, a banda conseguiu agarrar o público pelos colarinhos e pô-lo a dançar às rodinhas de onde se soltou imenso pó e voou cerveja e hidromel. Os Ensiferum foram mestres na sua arte, da qual não faltaram temas como “By The Diving Stream”, Token Of Time” e “Twilight Tavern”. A energia esteve no auge, com muita alegria e boa energia espalhada por todo o recinto.
Já a noite estava alta quando os ingleses My Dying Bride pisaram o palco e iniciaram a sua sessão de Melodic Doom Metal com a “Fall With Me”, passando de seguida para a fantástica “Bring Me Victory”. À terceira amostra, algum do povo afastou-se do aglomerado de pessoas e dirigiu-se às barracas. Se para uns os My Dying Bride foram a banda da noite, para outros foi “a morte” (ironicamente) do primeiro dia do festival. A banda não esteve má, muito pelo contrário. O som esteve muito bom e a prestação do Aaron foi lindíssima, com uma postura mórbida e poética – todos os seus gestos eram movimentos da poesia da música. Contudo, depois da happy hour do folk/viking metal, o Doom Metal não encaixou bem no alinhamento. Houve, portanto, reacções muito diferentes perante o espectáculo dos My Dying Bride – houve a paixão dos fãs… e acredito que não tenha havido ódio do restante povo - apenas um desajuste nas disposições

Para terminar o primeiro dia, nada mais nada menos que os suecos Meshuggah. Estes Srs. talvez tenham sentido uma certa aflição por pensarem que não conseguiriam levantar uma parte do público presente que tinha “desanimado” com o Doom Metal dos My Dying Bride. Rapidamente esse possível receio cai por terra, quando as reacções do público se mostram como as mais positivas. “Rational Gaze” abriu o espectáculo para logo de seguida sermos completamente esmagados por uma das maiores descargas de poder sonoro que o festival alguma vez teve – “Bleed”! A banda conseguiu, com o seu tecnicismo e peso, agarrar no mais frágil dos metaleiros e coloca-lo no mosh pit. Perfeição matemática e coesão musical são qualidades que todos sabemos que a banda tem… mas longe seria de esperar que ao vivo fosse assim tão perfeito e pesado – ainda por cima na estreia em território nacional! Voltem rapidamente! A cereja no topo do bolo foi representada pelo fabuloso encore: “Future Breed Machine” – e deixou mossa!