Sejam bem-vindos a este espaço todos os músicos e amantes de música. De boa música. Agradecemos a divulgação tanto por parte dos leitores como das bandas que nos visitem. E a todas as bandas que queiram ser aqui divulgadas/lembradas/relembradas - comuniquem! (e-mail em "contactos" ).
Stay Metal! \m/ (...e não só :D)
Mostrar mensagens com a etiqueta EverEve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EverEve. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de julho de 2011

EVEREVE - "Regret" - 1999


EVEREVE
"Regret"
1999 / Nuclear Blast

Tive a sorte de escutar e saborear este trabalho na época apropriada – precisamente em 1999. Se fosse agora, talvez não tivesse tido a sorte de viver este álbum com os sentimentos e sensações que sentia naquele tempo (quem me acompanhou sabe do que estou a falar).

Os dois álbuns anteriores de estúdio (“Seasons” de 1996 e “Stormbirds” de 1998) são ambos trabalhos geniais de Gothic/Doom Metal, que já receberam honras neste espaço. Mas, este “Regret” dos germânicos EverEve não é um trabalho como os anteriores.
Em primeiro lugar, a grande alma do grupo cometeu suicídio; logo após as gravações do “Stormbirds”, o vocalista Tom Sedotschenko terminou a sua vida e deixou um trabalho lindíssimo tanto no “Seasons” como no “Stormbirds” (se o escutarem as músicas e lerem as letras talvez entendam o que sentia Tom Sedotschenko). Neste “Regret” a voz ficou a cargo de Benjamin Richter e que deu uma outra vida ao instrumental dos EverEve. Nada tendo havendo com a voz de Tom, Benjamin mostra um timbre de voz que muito aprecio e que o coloca mais perto do Rock do que do Doom. Ao nível instrumental, os músicos deixaram de lado as depressões do Doom e do Gótico para dar lugar a um saudável Metal com melodias fortes e ritmos contagiantes – embora ainda se possa ouvir acordes muito semelhantes ao “Stormbirds”. Destaco os teclados discretos, e dou valor e importância ao ritmo das músicas; ritmo esse que é trabalhado pelo baixo e pela bateria – a comunhão é perfeita ao ponto de parecer que a música está “viva”. No seu todo, “Regret” sugere sentimentos ora de raiva, ora de contemplação majestosa proporcionada pelo bom sentido de melodia, como no caso da música “Kolyma”. O momento mais Metal está na música “Dies Irae (Grave New World)”, onde todos os elementos EverEve estão conjugados. Destaco, também, a versão que fizeram da música “House Of The Rising Sun” dos The Animals. Está bastante rock e com a letra alterada e adaptada.

A banda de um ano para o outro transforma a sua sonoridade, que na minha opinião esteve muito bem. Mas, para grande pena minha, esta mudança não se manteve e os EverEve caíram nas malhas do Industrial Gothic (ou como a banda preferiu chamar: CYGOROME – Cyber Goth Rock Metal); e verdade seja dita, a qualidade não os acompanhou porque deixaram-na no “Regret”. Uma verdadeira pena, porque tinham todas as qualidades para comporem outros trabalhos com verdadeiro interesse, como foram os primeiros três álbuns de estúdio.

Para terminar, dou os parabéns à banda por terem feito um trabalho tão contagiante e com tanta vida e sentimentos. Foi realmente um álbum importante na minha vida.

Deixo para ouvirem a faixa mais forte (a meu ver) do álbum: “Passion And Demise”.
Nesta todos os elementos estão unidos e em sintonia para darem consistência e abertura ao tema da música – deste o ritmo, os arranjos ambientais, a letra, a voz ora sibilante ora enraivecida, e o peso apropriado nas partes que merecem… isto está carregado de feeling – fica comigo para sempre.





POST-SCRIPTUM:

The sweet draught of lick-her (liqour)
Runs gently over my tongue
A feast of wicked pleasure
Is the delight of sweat and blood

The seed of a lost morality
As you sow, so shall you reap
A beast of pray (prey) I am

Trapped in a human abattoir

Now we drift away
Into a proud act of violation
Flesh captures flesh

As we deluge in self-accusation

The seed of...

To copulate means to umiliate
And I tremble within your thighs
I devastate emotional ground
What I adore, I despise
I rape your soul and suck you out
'Til I look into frightened eyes
I'm a prisoner between your legs

In a vicious game of passion and demise

The sweet draught of...

Together we rise, divided we fall
Caressed by the inno-scent (innocent)

I praise the holy whore...

Passion and demise

quinta-feira, 17 de março de 2011

EVEREVE - "Stormbirds" - 1998

EVEREVE
"Stormbirds"
1998 / Nuclear Blast

“...So we have left behind the ceaseless change
the ceaseless change of Seasons,
embittered by the inevitable maelstrom
that draws us towards the fields of winter
where crows burst out in their scornful cries.
And our eyes fall on the realm of much prouder
but neverthless even sadder creatures
the realm of the Stormbirds...”


O Metrónomo tem o prazer de apresentar o sucessor do “Seasons”, obra prima da banda germânica EverEve. Já data de 1998, mas este “Stormbirds” merece o prometido destaque, tal como mereceu o antecessor, pelas mais nobres razões que o Metal possa evocar.
“Stormbirds” inicia onde o “Seasons” terminou, da tristeza do Inverno surgem criaturas fantásticas numa tempestade de pássaros.
“Fields Of Ashes” é a glória do álbum. A abertura esplendorosa e grandiosa espalha força e pode despertar sentimentos adormecidos… realmente não há palavras para descrever tamanha força… aumenta-se o volume e a sensação de poder é imensa. Tom Sedotschenko consegue com a sua voz expelir o que sente de uma maneira genuína… sente-se, mesmo!
Na totalidade do álbum, a voz deste Sr. é um destaque. Tom ora berra e grita, ora canta, ora sussurra, tudo muito bem conjugado com o instrumental e genialmente colocado no momento certo. A relação com as letras é impressionante, e a comunhão lírica com o instrumental é perfeita. Assim, a voz e o instrumental é soberba! Neste “Stormbirds” há temas rápidos, lentos, enérgicos, contemplativos… uma mão cheia de música que só se encontra neste trabalho. “…On Lucid Wings”, precedida pela “Escape…”, é um tema bastante mais lúcido, por assim dizer, que o “Fields Of Ashes”, com uma energia distinta, para logo depois sermos carregados com um peso e um fardo só conseguido por esta banda. “Martyrium” é pesado espiritualmente. Um poema escrito na língua alemã, o Grand Piano, sons orquestrais conduzidos por Jean-Pierre a sugerirem una depression - mas no fundo, lá no fundo, os EverEve querem mostrar algo de belo. Momentos depois um tema rápido e agressivo, “The Downfall”, contrasta com o negro e o martírio e vem dar outro andamento ao álbum. Contúdo, este trabalho é de altos e baixos, pois ora temos um tema up-lift (ilusório, mas pelo menos “mexido” – porque lá no fundo todo o trabalho é uma neurose do vocalista) como um tema que nos deita por terra. “Dedications” é mais uma prova de que o conteúdo lírico é rico e recomenda-se – uma dedicatória única. E “Stormbirds” é a densidade deste trabalho – instrumentalmente bonito, num andamento Doom, o tema desperta paisagens que a letra sugere. E quando isso acontece, é porque algo de especial estamos a ouvir.
Na recta final do álbum, a banda reserva alguns temas que merecem destaque: “Spleen” é um deles, por ser um tema totalmente tocado em Grand Piano, pelo genial teclista da banda, Michael Zeissi, e sussurrado por Tom - e por ser inspirado num poema com o mesmo nome, de Charles Baudelaire, retirado da sua obra “Les Fleurs Du Mal”. Já a terminar, “Stormbirds” dá-nos um valsa, “Valse Bizarre”, que se pode dançar mas que tem o toque EverEve (neurótico, digamos).



POST-SCRIPTUM:
Como já devem ter percebido estamos perante um álbum com um nível de autenticidade fora do normal. Definir o que é EverEve nos seus primeiros lançamentos é uma tarefa ingrata, e a banda não merece rótulos nem normalidades. “Stormbirds” distingue-se pela sua musicalidade, pois em todos os temas podemos reter algo de especial. E não esquecer a perfeita comunhão com as letras. Para terminar, esta obra fechou o círculo depois do suicídio do vocalista, que morreu no dia 1 de Maio de 1999. O trabalho dele pode ser ouvido e apreciado para sempre.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

EVEREVE - "Seasons" - 1996


EVEREVE
"Seasons"
1996

Quem não conhece uma banda alemã com o nome de EverEve, que deu os seus primeiros passos na década de 90 com um split, duas Demos e este fabuloso “Seasons”? Não conhecem? Então façam o favor de explorar o início desta banda que praticava um som bastante pessoal – nem Gothic nem Doom, estando algures no meio destes estilos.

Em 1996 dão à luz o seu longa-duração de estreia, o qual deu que falar para os que tiveram curiosidade (ou sorte) em ouvir o “Sesons”. Desde a capa a sugestivos títulos, este álbum teria tudo para ser poderoso – e realmente é! Contudo, como os gostos são meros juízos particulares, decerto que houve quem não apreciasse a sonoridade da banda, talvez pelo facto dela não se limitar a um estilo e criar a sua própria sonoridade – sonoridade esta que teve o culminar máximo no sucessor do “Seasons”, o poderosíssimo “Stormbirds”, de 1998, e que terá honras neste blogue.

http://www.myspace.com/evereve
Tal como o título sugere, “Seasons” é um álbum que explora um conceito – o ciclo das Estações do Ano. Mas, todo o álbum é muito mais que uma mera exposição deste tema – é uma descarga emocional dos sentimentos sugeridos por cada parte do ciclo. Portanto, muito mais que físico (sonoro), é um trabalho espiritual onde os sentimentos estão “à flor da pele”, ou a banda não tivesse o misterioso vocalista (que já não está connosco – suicídio após o “Stormbirds”) Tom Sedotschenko.

O álbum abre com a “Prologue: The Bride Wears Black”, como um pronuncio do que o álbum nos reservará. A sonoridade melódica envolve o ouvinte através da genial comunhão da voz com o instrumental – uma comunicação musical que progride a níveis arrepiantes!
“A New Winter” apresenta a vocalista de serviço que tem uma excelente qualidade para ler pequenos excertos, que insere ainda mais alma ao trabalho. Esta senhora aparecerá mais vezes no “Seasons”, e acaba por ser um factor importante na dinâmica do álbum. De notar que a letra está em alemão – aspecto peculiar nos EverEve, que tanto exploram o inglês como o alemão. De resto, “A New Winter” é um riff simples que abre as portas à Primavera.
“The Phoenix / Spring” é um tema poderoso onde variam as vozes guturais com as melódicas. O instrumental é singularmente melódico e atmosférico, onde os teclados nos envolvem.
“The Dancer / Under A Summer Time” é, talvez, a passagem mais poderosa deste ciclo. Começa com a excelente narração de um excerto igualmente excelente. Surge um ritmo forte de guitarra que acompanha um piano que nada mais é que um prelúdio à fabulosa melodia que a música nos reserva. Momentos envolventes e momentos de pura descarga de energias. Esta é simplesmente uma música fabulosa, com uma finalização incrível e carregada de feeling. Fiquem com ela:


“Twilight” é uma ode ao Outono… arrepiante!

"First leaves touch the ground
Shadows are to be our company
An age draws near
In which days die away, die softly
When the light dwindles
When the curtain falls
The sun is conquered
Grey veils cover the world
And our hearts vanish the void"

“Autumn Leaves” é o culminar do Outono. Uma música lindíssima, carregada de Doom e com uma melodia cantável. Simplesmente arrepiante e recomendável, onde o vocalista emprega uma voz completamente aplicável ao ciclo outonal.
“Untergehen und Auferstehen” é um faixa brilhante que explora sentimentos “depressivos”, de desfalecimento e de ressurgimento. Como o trabalho da banda é brilhante, tanto a voz como o instrumental é adequado a essa temática. Comprovem vocês mesmos!
Depois da “To Learn Silent Oblivion”, que é uma passagem para o final do ciclo, surge o Inverno em toda a sua glória – “A Winternight Depression”. A associação do Inverno à depressão tem muito que ver com a própria natureza do Inverno; contudo, de certeza que nem todos os ouvintes associarão à tão conhecida depressão que os humanos sofrem. Esta é uma depressão artística, onde tanto o belo como o horror se confundem. Um tema belo que remete o ouvinte para um panorama de reflexão.
O ciclo termina com um “Epilogue”
“And buried under eternal ice
There lies the soul and cries
Has to nourish, to refresh
On our being`s darkness - nothingness.”



POST-SCRIPTUM:
Estamos perante um trabalho espectacular. Aos que desconheciam espero ter-vos gerado a curiosidade de conhecerem este álbum. Aos que já conhecem espero ter promovido uma boa recordação – é tempo de tirar o pó ao CD. “Seasons” poderá ter passado despercebido na segunda metade da década de 90, mas significou muito para quem o ouviu. Um álbum que ficará para sempre; um ciclo (um ritual) interminável.