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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

REPORT: Anathema + Slamo - Hard Club, Porto - 03.11.2010


As novas instalações do Hard Club proporcionam uma maior oferta e qualidade para espectáculos de vários tipos. E os sons mais pesados só estão a ganhar com isso, porque a qualidade que a sala oferece é realmente espantosa. E por isso, muito provavelmente os portugueses Slamo nunca soaram tão bem ao vivo como naquela noite. Durante sensivelmente meia hora a banda mostrou uma boa prestação, onde apresentaram o seu Rock com tonalidades melódicas e alguns arranjos mais pesados com pequenos rasgos de progressivo. O som esteve claro e evidente e sem falhas, tal como a actuação da banda.

Meia hora passou e meia hora se esperou pelos Anathema. Quando se pensava que iriam iniciar o espectáculo com a música que abre o recente “We’re Here Because We’re Here”, a brilhante “Thin Air”, eis que somos surpreendidos com a “Deep”, do pinkfloydiano “Judgement”. O set continua com a “Pitiless”, “Forgotten Hopes” e “Destiny Is Dead”. De seguida o set avança com o álbum “A Natural Disaster”, dando entrada à cantora Lee Douglas que surpreendeu todos com a sua magnifica voz, principalmente na música que dá nome ao álbum, na qual a vocalista brilhou e encantou com a sua presença. A música “Closer” marcou pelo seu ambiente psicadélico muito bem trabalhado pela banda. Destacou-se, também, a música “Flying”, onde o toque e beleza da música se conjuga muito bem com a poesia da letra – e de onde surgiu um dos mais bonitos solos de guitarra da noite. Entretanto somos brindados com material do “Alternative 4”, onde a “Empty” teve um impacto brutal no público; porque se já nas anteriores muitos cantaram, nesta todos cantaram – ambiente brilhante. Surge um down-tempo com a “Lost Control”, criando arrepios no povo todo, dando passagem à “Destiny”. O “A Fine Day To Exit” também teve presença, onde brilhou a “Temporary Peace”.
Uma hora passou e nem sinal de vida do novo álbum, até que o sempre bem-disposto Daniel Cavanagh anunciou que ele iria ser tocado na sua totalidade. A segunda parte do concerto foi, então, uma viagem completa pelo “We’re Here Because We’re Here” – e que foi igualmente brilhante! Nada falhou. Nada faltou.
Depois de terem tocado, e depois do encore, a banda actuou mais meia hora onde não faltou a “One Last Goodbye”, com a qual a sala cantou com o Vincent – desta vez o vocalista participou com o público, já que no último concerto não o deixaram cantar. Antes desta, Daniel aparece a solo com uma guitarra semi-acústica e oferece-nos a “Are You There?”. Já a terminar, surge um grande momento da noite – “Fragile Dreams”. A sala vibrou com uma descarga de energia fabulosa. Ninguém escapou.

POST-SCRIPTUM:
Foi um espectáculo brilhante. As duas bandas estiveram muito bem. Claro que o destaque cai para os Anathema; e de facto merecem porque foram simplesmente brilhantes e modestos. A postura da banda em palco é muito honesta demonstrando grande simplicidade e simpatia, o que ajudou a criar um ambiente intimista, tranquilo e muito bem-disposto, cujo meio de comunicação foi a música. Por outro lado o Hard Club está de parabéns pelo novo espaço que é muito bom pela sua qualidade. Posso afirmar que num concerto em recinto fechado nunca ouvi melhor qualidade de som do que neste concerto. Por isto e por muito mais que haveria a dizer, todos estão de parabéns.