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segunda-feira, 18 de abril de 2011

ENTREVISTA: Legacy Of Cynthia

www.myspace.com/legacyofcynthia

O Metrónomo teve acesso a esta curiosa banda de Sintra, e teve oportunidade não só de ouvir o EP "Voyage", que já data de 2010, mas também de ter uma conversa com o guitarrista Oz, uma das "mentes mestras" dos Legacy Of Cynthia.

Antes de mais vou iniciar com uma grande curiosidade. Porquê Legacy Of Cynthia? O que está por detrás do nome?
Acredita-se que os Celtas chamavam "Cynthia" à Serra de Sintra, em devoção à lua, e esse nome foi perdurando ao longo de vários séculos. Todos os elementos que compõem os Legacy Of Cynthia são oriundos de Sintra, local com o qual têm uma profunda ligação. Para nós faz todo o sentido a banda estar unida a um local onde fomos criados e que é por natureza tão místico e misterioso, sendo também fonte de inspiração para tantas lendas e referido por grandes escritores e poetas nas suas obras. Esse misticismo eternamente presente em Sintra, e na própria lua, serve como que de imagem de fundo para uma viagem que acreditamos existir na sonoridade que praticamos.

Formaram-se em Sintra no ano de 2010. Mas de certeza que têm um passado como colectivo, ou nem por isso? Querem contar um pouco da vossa história?
Todos os músicos que fazem parte do colectivo Legacy Of Cynthia são pessoas com percursos musicais bastante ricos e diversos. O que levou a esta congregação musical entre todos foi a vontade de criar um projecto onde pudéssemos navegar por várias paisagens sonoras, privilegiando muito a melodia, mas sem deixar de parte uma vertente mais directa e por vezes mais pesada. Apesar de tudo queremos libertar, de forma fluida, a criatividade que todos temos, sem nos importarmos muito com possíveis rótulos e também sem grandes preocupações de nos enquadrarmos dentro de um género (ou subgénero) musical definido e restrito, isto tudo sem perder a identidade e personalidade que julgamos ter alcançado com o EP "Voyage" e com as novas composições que temos criado.

O vosso EP, “Voyage”, lançado este ano, está aí para ser ouvido, mas estão sem editora e mesmo sem um manager. São, de facto, duas estruturas importantes para uma banda – estão a ter sucesso na vossa demanda?
O sucesso depende sempre das metas a que cada um se propõe, mas de facto, sem essas duas importantes estruturas que referes, temos conseguido obter excelentes reacções ao nosso trabalho, e tem sido uma surpresa para nós a reacção do público e de alguns media ao nosso som.
A opção de lançar o "Voyage" sem a banda estar associada a uma editora ou a um manager comporta certos riscos e sabemos que temos de trabalhar afincadamente para o nosso projecto se tornar visível tanto aos olhos do público como de todas as estruturas ligadas à indústria musical, de forma a conseguirmos alcançar outros patamares.
De certa forma o "Voyage" assume-se como um cartão de visita para mostrar o nosso trabalho e neste momento estamos muito satisfeitos com o feedback que temos tido do público em geral, como de algumas pessoas ligadas à indústria musical.

A vossa sonoridade não é exclusivamente Metal, ou pesada, havendo até muito mais Rock Progressivo. Isso é fruto dos vossos gostos, que devem ser variados, ou foi tudo planeado?
O nome do EP não foi escolhido por mero acaso e reflecte o que achamos ser a sonoridade dos Legacy Of Cynthia. Deixando os rótulos de lado, acreditamos que o nosso som é como que uma viagem que por vezes pode ter partes mais serenas e limpas para depois desaguar em partes mais brutais e quiçá mais inquietantes.
Claro que este trabalho é fruto do que gostamos de ouvir e, sobretudo, de criar. Penso que não existe uma influência latente no projecto, pois todos os membros da banda gostam de coisas muito díspares. A forma como trabalhamos cada música não tem necessariamente de ser igual à abordagem que tivemos com os temas compostos anteriormente. O que fazemos é deixar a música fluir, como se fosse um rio, e ela acaba, quase sempre, por se fazer a si própria.

Como é que funcionam como banda? Existe uma “mente mestra” ou funcionam de um modo democrático onde todos contribuem com ideias?
Existem 6 mentes mestras imbuídas de um espírito de abertura musical que achamos essencial para atingir a sonoridade que pretendemos. Nós conversamos bastante sobre as partes das músicas, debatemos, por exemplo, o que é que um determinado riff pede em termos vocais.
Funcionamos de modo democrático, pois muitas vezes podes não conseguir vislumbrar o que é melhor para certa música, ou até discordar da direcção que o tema está a tomar, e a maioria achar que o melhor é o caminho oposto ao que idealizas. Certo é que no final acabamos sempre por dar razão ao caminho que a maioria escolheu. Achamos que este é o espírito que deve existir na banda.

Voltando ao EP. Querem falar um pouco sobre ele? Como foi o processo de composição e gravação? O que está por detrás do vosso trabalho conceptualmente?
O "Voyage" não foi composto de raiz com um conceito conceptual, apesar de numa visão mais global ressaltar transversalmente o tema da viagem em busca da luz, do exorcizar de todos os sentimentos que nos fazem ser piores pessoas. Se quiseres podemos dizer que o conceito é a busca de uma certa paz de espírito.
O processo de composição teve alguns percalços mas foi altamente proveitoso a nível de entrosamento e da discussão de ideias e de conceitos a abordar aquando da composição de cada tema. Foi bom definir que temos um vasto espectro musical onde gostamos de nos movimentar, mas sem que isso cause uma perda de personalidade ou identidade.
Gravar no Trigger Studio com o Rui Danin foi excelente. O Rui além de ser um grande amigo é também um produtor muito exigente e muito criativo. Sugeriu imensas coisas e algumas delas acabaram por ficar na mistura final. Apesar de conhecermos os temas de fio a pavio ficámos surpreendidos com a sonoridade que conseguimos alcançar juntamente com o Rui Danin. A quem aproveito para, em nome da banda, agradecer publicamente pelo excelente trabalho que fez.

Acho curioso terem dois vocalistas, o Peter e o Charlie. Porquê esta opção?
O Peter e o Charlie têm timbres muito diferentes e já trabalham juntos há vários anos. São dois músicos muito talentosos e criativos, que por vezes abordam os temas de forma diferente, o que acaba por enriquecer o nosso som. Por os timbres serem diferentes conseguem criar vários tipos de harmonias e maneiras de cantar que encaixam na perfeição num riff que normalmente seria apenas destinado a uma só forma de cantar. É isso que eles tentam fazer, explorar e vaguear uma malha tentando encontrar nela diferentes sensações, transpondo depois isso para linhas vocais.

E espectáculos? Podemos ver os Legacy Of Cynthia nos palcos?
Neste momento não temos nada agendado, apesar de termos algumas coisas alinhavadas mas que carecem de confirmação. Brevemente contamos anunciar algumas datas. Podem consultar o nosso myspace ou facebook para ficarem a par dessas e de outras novidades.

Desejos para o futuro. O que podemos esperar da vossa banda?
O que desejamos é comum a toda a comunidade rock/metal nacional: Mais e melhores condições para tocar e que haja um apoio e união cada vez maiores em torno do que se faz em território nacional, pois existe muita qualidade em Portugal. Felizmente hoje já vemos cada vez mais adolescentes a aderir aos concertos de bandas nacionais e a apoiar afincadamente o panorama rock/metal português.
O que podem esperar dos Legacy Of Cynthia é uma entrega total e uma determinação enorme em a banda se superar a si mesma. Estamos em fase de composição e posso assegurar-vos que o novo material nos está a entusiasmar bastante, deixando-nos confiantes que o mesmo se irá passar com quem tiver oportunidade de nos ouvir.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA - Morbid Death

Os Morbid Death, banda de Thrash Metal dos Açores, está aí com um recente EP, "Metamorphic Reaction, lançado em meados de Dezembro de 2010. O Metrónomo foi convidado a ouvi-lo, e aproveitamos para conversar com o Ricardo Santos, vocalista e baixista da banda.



São uma banda de Metal pioneira nos Açores. Foi difícil erguer os Morbid Death, ou nem por isso, desde que haja vontade? Fala-nos um pouco do vosso percurso até aos dias de hoje.
Não poderemos considerar que tenha sido difícil. Claro que, ao longo destes 20 anos de carreira aparececeram alguns contratempos, mas todos eles foram postos para trás, com a vontade que tínhamos e temos em fazer música de que mais gostámos - Metal!

Resumir duas décadas é um bocado difícil ficando muita coisa por dizer! Iniciámos este projecto em 1990. Participámos num concurso de música moderna e obtivemos um 3ºlugar de entre 21 projectos, em 1991. A partir daí, foi um não mais parar porque sentíamos que a nossa música tinha chegado a muitos, inclusive aos mais cépticos.
Ao longo dos anos, o line-up da banda foi-se alterando devido aos motivos pessoais de cada um. Já demos inúmeros concertos, dos quais se destacam as primeiras partes de Moonspell (três vezes, pelo menos!), Paradise Lost, XII SWR, Festival Maré de Agosto, 4 mini-digressões ao continente, etc, etc. Poderá não ser muito, mas dada a nossa realidade (insularidade), penso que temos feito o que nos é possível.

O que representa este EP para vocês, já que foi um lançamento por conta própria? Estão sem editora, ou decidiram lança-lo independentemente?
Este EP representa um 'virar de página', o 'quebrar com o passado'! Não é que estivéssemos insatisfeitos com tudo o que foi feito até então, até porque orgulhámo-nos muito dele mas sentimos que havia a necessidade de mostrar e por cá para fora a agressividade musical que há muito estava 'desaparecida'. Isto, aliado à entrada do novo baterista, tornou-se muito fácil. Tínhamos uns quantos riffs de guitarra 'arrumados' e tinha chegado à altura de serem utilizados. Estámos musicalmente mais satisfeitos! Quanto à edição, foi de autor porque sabemos que o mundo da música é muito complexo e não queríamos perder tempo em lançá-lo. A música serve para senti-la!

www.myspace.com/morbiddeathband
Quanto às músicas do vosso “Metamorphic Reaction”, as minhas audições dizem-me que há uma divisão no EP, e que a segunda parte tem uns toques mais melódicos. É verdade e propositada esta divisão, ou simplesmente é um mero acaso e uma falácia dos
meus ouvidos? (risos)
Quando terminámos todo o processo de gravação, mistura e masterização, apareceu-nos este dilema. Tal como um puzzle, tivemos que colocar as 'peças' nos sítios certos. De realçar que considerámos as opiniões muito válidas dos produtores Zé Miranda e Carlos Rijo. Após várias audições, chegámos à conclusão de que o seguimento dos temas como está, teria mais lógica. Está com 'cabeça, tronco e membros'!!! (risos) 

Olhando para a vossa discografia, duas demos, três álbuns, um DVD e agora o EP, podemos esperar em breve um sucessor do “Unlocked”, de 2004?
Neste momento, estamos a trabalhar em novos temas. A motivação da banda está em alta, devido às críticas muito positivas que 'Metamorphic Reaction' tem recebido. Assim, todo o trabalho torna-se mais fácil. Vamos dar tempo, ao tempo.

E quanto a concertos? Em 2011 poderemos ver-vos nos palcos? O Vagos Open Air ainda tem de confirmar mais bandas, seria uma boa escolha para o cartaz. Que acham?
Para concertos 'fora de portas', entenda-se - fora de S.Miguel, a situação nunca será fácil porque existem alguns aspectos que podem ditar as 'regras'. Já fomos convidados este ano para actuarmos aí, no continente mas a parte financeira fala sempre mais alto. Além disto, temos por vezes situações em que não é possível, devido a ausência de algum elemento. Mas nunca se sabe...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Entrevista Man In Feast



Os Man In Feast, banda lamecense, lançaram o seu primeiro registo musical, intitulado "How One Becomes What One Is". André Lobão e Afonso Lima deram voz ao projecto, numa conversa que não se restringiu ao EP.




Entrevista em formato áudio (excertos editados):







Entrevista em formato escrito:



Em 2008, quando fundaram a banda, esperavam que o vosso percurso chegasse até este ponto?

André – Acho que tivemos a noção, desde o início, que queríamos que este fosse um projecto sério. Já estávamos todos um bocado cansados de andar noutros projectos em que não éramos levados a sério e queríamos, com este novo projecto, fazer uma coisa que fosse mais séria e que tivesse mais longevidade, por assim dizer.
Afonso – Creio que, quando fundámos este projecto, tínhamos a exigência de que fosse algo que nos realizasse enquanto músicos e que ficasse para o futuro. Nós estamos num ponto em que não sabemos o futuro; sabemos que neste momento já temos um trabalho feito, pelo menos, e isso para já é uma realização muito grande, mesmo.
André – Enquanto pessoas e enquanto músicos.

O facto de há pouco tempo terem mudado de composição afectou o desenvolvimento do vosso trabalho?
André – Muito. Foi provavelmente a mudança mais significativa que ocorreu nos últimos tempos. Na minha óptica, penso que essa mudança ocorreu de uma forma natural. Mas as mudanças foram significativamente melhores. Estamos neste momento já a trabalhar num novo material e já a pensar naquilo que poderá vir a ser um novo registo e satisfaz-me bastante o rumo que as coisas estão a tomar. A nossa nova direcção musical parece-me bastante interessante e muito mais coesa.
Afonso – Inicialmente éramos quatro; entretanto entrou o Zé, que era só músico de suporte, as coisas começaram a evoluir e ele começou a compor connosco. Entretanto, saíram dois membros e entraram outros dois. Sem dúvida nenhuma que, ao ouvir o EP, se nota a influência dos novos membros. De um brilhantismo, pelo menos na minha opinião. A contribuição deles para aquele trabalho foi excelente. Não creio que tenhamos perdido, apenas mudamos de direcção e neste momento estamos a trabalhar de uma forma bastante coesa e, sinceramente, agrada-me mesmo o rumo que as músicas estão a tomar, a abordagem que fizemos aos temas anteriores.
André – Foi mais uma transformação do que propriamente uma mudança, por assim dizer. Embora certas coisas se tenham mantido iguais. Acho que, apesar de termos pouco tempo de existência, já temos coisas que fazem parte da nossa identidade. Há elementos mais experimentais que não queremos perder a nível de composição; já temos alguma maturidade para saber que é isto que somos e queremos fazer.
Afonso – Sim, os elementos-chave na nossa composição mantêm-se porque quem entrou soube que vinha para um projecto que era de determinada forma. Temos um método de composição que é aquilo que nós sentimos que nos distingue.

Iniciaram em 2009 o processo de gravação do vosso primeiro registo. Como avaliam o período desde o início do processo até ao momento em que lançaram o EP?
Afonso – Stressante. Foi a primeira vez que estivemos em estúdio. Nós tínhamos uma ideia daquilo que queríamos, mas ver as coisas a crescer foi mesmo stressante, porque é quase como se tivéssemos ali um filho.
André – É muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, estamos todos num processo de ebulição criativa. Queremos ter algum registo musical, num formato o tão mais possível sério e profissional. Foi o que definimos desde o início e daí a nossa opção de partir logo para estúdio e tentar gravar as músicas. Muitas coisas acabaram por surgir por instinto: arranjos, pormenores. Foram coisas que acabaram por fazer elevar os temas ou por lhe dar outra dimensão. Surgiram com a nossa presença em estúdio ou com a colaboração do próprio Guilhermino Martins.
Afonso – Sem dúvida que foi um processo essencialmente de aprendizagem. Creio que, se estamos actualmente a compor de determinada maneira, com certas perspectivas daquilo que vai ficar no final, deve-se muito ao trabalho que tivemos com o Guilhermino. Aprendemos imenso com ele. Tenho a noção de que hoje em dia não éramos metade daquilo que somos não fosse ele ter estado connosco nesta fase. Muitas vezes chamava-nos à atenção de pormenores que nós nem nos lembrávamos que existiam.

Como é que chegaram ao título do EP?
André - Antes de começar a explicar isso propriamente dito, convém referir que tem tudo a ver com o nosso processo de trabalho. Em primeiro lugar, porque nós gostamos de trabalhar sob uma base conceptual. Quando estamos a compor ou ainda antes de compor, pensamos em determinadas ideias-chave ou determinados conceitos que queremos abordar com a nossa música. Aquilo que nos satisfaz enquanto músicos não é apenas estar a criar música; todos nós temos outras aspirações artísticas. E, quando chegamos à sala de ensaios e estamos a tentar compor, levamos também outras coisas connosco. Influências: sejam literárias, sejam cinematográficas. Gostamos de trabalhar muito com essas bases.
Afonso – A base conceptual aconteceu muito numa abordagem Nietzscheziana, e foi muito baseada também na forma como Nietzche desenvolveu o livro dele, o Ecce Homo. O subtítulo desse livro, para quem não sabe, é exactamente o nome do nosso EP. Nós achámos que fazia todo o sentido porque, no fundo, o álbum tenta transmitir a ideia de como uma pessoa se torna naquilo que é.
André – Que é um pouco aquilo que nós queremos transmitir enquanto banda. Primeiro registo, primeiro trabalho…
Afonso – Para a frente, no fundo, o tema vai andar sempre à volta do processo evolutivo individual.
Quando ouviram o trabalho totalmente editado, pensaram “Era exactamente isto que queríamos?”
André – Fiquei muito satisfeito com todo o registo final. Houve partes que me surpreenderam. Hoje em dia, como é óbvio, olho para trás e há partes que me agradam mais e partes que não me agradam tanto, mas eu acho que isso faz parte da nossa experiência. Não tínhamos na altura a experiência enquanto músicos que eu acho que temos agora.
Afonso – Diria que fiquei bastante surpreso com o resultado final, apesar de ter acompanhado todas as fases da mistura e da masterização. Essencialmente, por inexperiência. Nunca tinha estado num processo destes e achava que ia tudo soar de maneira um pouco diferente. Quando gravámos as coisas na sala de ensaio fiquei com uma ideia de som; chegámos a estúdio e o trabalho final acabou por ser diferente. Foi tão diferente que eu cheguei ao ponto de pensar “fui eu que gravei estas guitarras todas?”, de duvidar do meu próprio trabalho porque realmente aquilo ficou para além daquilo que eu estava à espera. Hoje em dia olho para trás e encaro todo este processo como uma evolução, uma aprendizagem constante e vejo mil e uma coisas no EP que podia ter feito de forma diferente.
André – Mas isso faz parte do processo. E por hoje em dia estarmos confiantes a nível de novas composições, foi muito importante termos dado este primeiro passo desta forma.
Afonso – E de ter sido essa surpresa, porque também nos dá outras perspectivas a nível de como vamos agora trabalhar para que no futuro possa soar como queremos.

Têm tido um feedback positivo em relação ao EP?
Afonso – Estranhamente, sim.

Estranhamente porquê?
André – Primeiro, porque acho que nós temos consciência de que o nosso som não é um som fácil de assimilar. Não temos propriamente um público-alvo a atingir, outra diferença. E depois porque nós, desde o início, quisemos que isto fosse, a nível musical, algo em aberto. Acho que todas as bandas falam disto, não gostam de se rotular a um estilo. O que é certo é que, de uma forma ou de outra, a maioria das bandas acaba por cair mais num estilo do que noutro. Nós, sinceramente, gostávamos que isso connosco não acontecesse. Sabemos que temos sempre uma linha de fundo que é comum, que pode ter a ver com uma componente mais rock ou mais metal - como também a própria componente ambiental - mas não queremos ter problemas de explorar outras coisas, como sonoridades mais pop. Não temos problemas absolutamente nenhuns em seguir esses caminhos.
Afonso – Pode parecer estranho, mas é normal trocarmos entre nós músicas completamente diferentes daquilo que fazemos, para aprendermos algo. É normal eu ir a ouvir música clássica para tentar assimilar algumas formas de composição.
André – Não quer dizer que o nosso próximo trabalho vai ser com uma orquestra (risos), mas não pomos de lado essa hipótese.
Afonso – Eu até costumo dizer em tom de brincadeira que o nosso estilo é “ah, isto é bom, mas não é a minha cena” porque, no fundo, não nos encaixamos em nenhum estilo específico, mas temos vários pontos de…
André – …de contacto entre muita coisa.

O facto de ser um trabalho que se pode dizer um pouco introspectivo mantém-no como um bom trabalho para tocar ao vivo?
André – Enquanto banda, encaramos actuações ao vivo como espectáculos. Daí também o facto de termos dado poucos concertos. Queremos sempre acrescentar algo mais para além de uma banda em cima do palco a tocar instrumentos. Portanto, penso que o trabalho é introspectivo - a força da própria música pode transmitir isso - mas acho que ganha outra dimensão se ao vivo tiver outro tipo de componente. São coisas que também já começamos a experimentar, a nível de projecção de imagem, a nível de jogos de luz. Mas temos consciência também das nossas limitações, temos noção de que é um trabalho que demora algum tempo.
Afonso – Nós temos a perfeita noção, até porque já experimentamos isso, de que tocar o EP na íntegra ao vivo não resulta, porque tem momentos demasiado introspectivos, se não houver outra componente. Nós vemos imensos concertos de post-rock, por exemplo, e essa componente visual costuma estar bastante marcada. As músicas não têm letra, muitas delas são muito ambientais, e as coisas funcionam. Nós precisamos de pôr isso em cima do palco, também. Por isso, é que digo que não resulta. Mas pode vir a resultar.

Qual foi o concerto mais memorável da vossa história enquanto banda?
André – Não foram assim tantos (risos)

Então é mais fácil escolher…
Afonso – Eu acho que cada um teve as suas histórias, no fundo. Por exemplo, o primeiro que demos foi no Porto, no Plano B, a abrir com uma banda de pop, os John is Gone. Foi a convite deles que fomos, íamos lançar o álbum nessa altura. Foi engraçado, eram dois públicos completamente distintos, duas bandas completamente distintas.
André – Cada concerto é sempre diferente. Ainda por cima, com o tipo de som que nós temos, basta o público ser diferente para termos logo reacções muito díspares.
Afonso – O concerto no Showcase em Lamego foi engraçado porque tivemos uma interacção de que não estávamos à espera. Foram amigos, conhecidos e curiosos.
André – Acho que esse foi, provavelmente, o concerto que até agora correu melhor. Talvez por “estarmos em casa”.
Afonso – Também destacava o concerto no Pin Up, porque deu-nos uma aprendizagem do que é organizar um concerto. E depois o do Montinho, até pelo facto de ser inserido num festival.

Em Março vão estar no Hard Club. Já trocaram algumas ideias quanto à actuação?
Afonso – Nós andamos a trabalhar nisso desde há algum tempo.
André – Estamos muito muito focados nesse concerto, é a nossa prioridade neste momento. Até porque entraram elementos novos, há que preparar novas coisas, temos novos temas que já vão ser tocados. E, para além disso, temos algumas remodelações de temas antigos, outras roupagens que também vão figurar na nossa setlist.
Afonso – Relativamente às roupagens, não serão diferenças substanciais. Relativamente a novos temas, vamos experimentar essencialmente. Vai ser um pouco diferente daquilo que se ouviu no EP. Acho que vai ser uma surpresa, espero que seja agradável. Posso adiantar que já tocámos uma vez o set seguido, até com a parte do “Boa noite, Hard Club”. (risos)

O facto de serem oriundos de um meio não muito grande tem sido um obstáculo à divulgação musical?
Afonso – Mais ou menos. Acho que o grande problema tem a ver com as barreiras físicas que ainda existem. É muito difícil para nós, a nível de logística, organizar um concerto em Lisboa, por exemplo. Precisamos de ter todo um suporte que as promotoras às vezes têm. O facto de sermos de onde somos tem sido difícil. Outra questão é que as explosões musicais funcionam muito por nichos e não existe um nicho do interior, apesar de existirem bons projectos lá. Neste momento, podemos falar de um movimento musical que existe em Lisboa, com imensas bandas a aparecer, como Linda Martini. De Braga temos outros exemplos que tais, como Long Way to Alaska. No Porto e em Barcelos também… Estes grupos ganham uma exposição diferente, porque surgem inseridas num movimento.
André – Realmente, o que faz falta numa zona do interior é um movimento musical, que é mais fácil de acontecer nos grandes centros. Embora haja sítios para tocar, ao contrário do que acontecia há alguns anos. Mas torna-se difícil fazer surgir alguma coisa com força suficiente para ser visível a nível nacional.

Quais são os projectos futuros que já têm em mente?
André – Estamos a compor temas novos, a trabalhar novamente sob uma base conceptual…
Afonso – E estamos com alguma ansiedade em relação a isso. Tem surgido de uma forma inesperada, diria até que não seria o rumo lógico das coisas. Isso deixa-nos ainda mais motivados. Cada vez estamos mais entusiasmados, a entrar mais a fundo na composição.
André – Vamos ver o que vai surgir daqui para a frente, podem esperar coisas diferentes.
Afonso – Durante este ano, queremos essencialmente começar a tratar das gravações do novo registo. Possivelmente, vamos fazer um registo mais longo, achamos que já temos maturidade musical para isso e temos ideias suficientes. Queríamos também fazer uma abordagem nova a nível visual, relativamente às nossas actuações. E, em relação ao lançamento do novo registo, queríamos ter uma componente gráfica ainda mais forte.






Post-Scriptum: A entrevista está praticamente em formato integral. Retirei apenas algumas repetições e terei mudado algumas palavras que não faziam sentido da forma como estavam. De qualquer forma, foi uma grande entrevista, graças ao André e ao Afonso. Obrigada.

domingo, 21 de novembro de 2010

ENTREVISTA - The Dead Of Night

O "Inert" está aí à disposição para os curiosos e amantes de Ambient/Classic/Gothic. Entretanto, o Metrónomo esteve à conversa com o mentor do projecto THE DEAD OF NIGHT, Shadow. Numa entrevista via e-mail, Shadow teve a simpatia de responder a algumas curiosidades.


O vosso primeiro lançamento, “Inert”, está aí pela Invisible Eye Productions. Como chegaram até aqui? Foi difícil?
O percurso não terá sido muito diferente do de qualquer outra banda, se exceptuarmos o facto de não haver ensaios, mesmo após a entrada da Morgana. Mas fica sempre a sensação de que demorou tudo imenso tempo... O processo de composição já leva o seu tempo, mas todas as outras questões promocionais e relacionadas com a editora acarretam tempos de espera. A ideia original era, de facto, ter um lançamento editado, pelo que um período de sensivelmente três anos não me parece excessivo. Deu para crescer bastante a nível de composição, arranjos e produção.

O que sugerem com um nome como The Dead Of Night?
Na génese do projecto, a ideia era apenas fazer música na vertente mais negra do Ambient, por isso achei que o nome se adequava. E acaba por ser de noite que me sinto sempre melhor, como se estivesse "em casa". Sei que é um lugar-comum daqueles mesmo óbvios, mas é verdade. E o nome continua a representar bem o espírito da banda, mesmo nos momentos mais épicos da música que fazemos.


Fala-nos um pouco do que está por detrás do “Inert”. Como conceberam os conteúdos conceptuais?
www.thedeadofnight.net
Não posso dizer que exista um verdadeiro conceito subjacente ao "Inert", será antes um sentimento de dormência, de uma paragem no movimento natural das coisas. As músicas têm ambientes e sonoridades diferentes, mas a ideia geral era procurar qualquer coisa de belo, majestoso e, sobretudo, intemporal, como que imobilizado. Daí o título e a capa, que para mim também representa um movimento vagaroso, que isola cada instante e o prolonga indefinidamente.

A vossa sonoridade é bastante ambiental e com alguns toques clássicos. Nunca pensaram em inserir pitadas de Metal?
Tenho uma ligação ao Metal e é claro que está sempre presente, enquanto influência. Mas a minha ideia com TDON era mesmo deixar de fora os instrumentos tradicionais do Metal. Gosto muito da combinação dos dois elementos, sou fã de uma série de bandas que o fazem, mas eu queria experimentar só a vertente ambiental, até para ver se era capaz. E, neste momento, continuo a achar que não seria boa ideia acrescentar toques de Metal, mas nunca se sabe...

Como sugeri na review, as vossas influências são quase óbvias. Para além delas que tipo de inspiração vão buscar para comporem o vosso material? Porque, na minha óptica, não basta haverem influências porque todos os artistas têm-nas.
Para além das influências mais óbvias, que aceitamos de muito bom grado, destacaria, a nível musical, o Metal (Black, Heavy e Doom, sobretudo), algum psicadelismo e música experimental. De resto, a inspiração para o que componho vem principalmente de memórias difusas de infância. Também dou grande importância aos sonhos, acabo por extrair deles muito do que faço a nível musical.

Suponho que sejam ambiciosos com o vosso futuro. Já têm alguns horizontes definidos?
Neste momento, queria compor, gravar e editar mais um lançamento, que superasse em todos os aspectos o "Inert". E é nisso que me vou concentrar ainda em 2011 e no início do próximo ano.

Leiam também o review do "Inert" aqui.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entrevista a Pedro Remiz, vocalista dos Darkside of Innocence



Olá Pedro! O projecto Darkside of Innocence começou há alguns anos, tenho vindo a contar com várias mudanças de elementos. O propósito do projecto, desde que ele existe, sempre foi divulgar a mensagem de Sophia. Para quem não sabe, podes explicar de forma sintética quem acreditam ser Sophia e qual o principal propósito da sua mensagem?

Olá Joana. Antes de mais, deixa-me agradecer pelo interesse demonstrado nos Darkside of Innocence. Não posso dizer que, conscientemente, essa tenha sempre sido a nossa pretensão pois isso foi algo que foi crescendo em mim desde os dias da criação de Darkside of Innocence e à medida que ia evoluindo enquanto ser humano. Acabou sim, ultimamente, por ser o conceito escolhido para cobrir os Darkside of Innocence. Sophia na sua etimologia significa conhecimento e a sua mensagem é bastante simples; baseada nessa mesma noção e na tua inteligência, saber os teus limites enquanto indivíduo de forma a que possas respeitar o próximo.


Tendo em conta que pretendem divulgar uma mensagem que muitos não conhecem, trabalhar nas letras torna-se mais exigente?

Para mim, uma letra é sempre algo muito importante e com certeza que se queres transmitir uma mensagem desta envergadura, a forma como a vais transmitir tem de ser muito calculada para que as pessoas não caiam no erro de assumir opiniões que em pouco ou nada têm a ver com o que se pretende passar. Eu sou, contudo, apologista do que é abstracto e de dar liberdade às pessoas para que elas imaginem o seu próprio universo e sonhem consoante aquilo que eu sinto, trabalhando desta maneira, o texto alegórica e poeticamente.


O lançamento do álbum de estreia, Infernum Liberus EST, foi o fim de uma fase para vocês?

Sem dúvida alguma o fim de um capítulo bastante positivo na história dos Darkside of Innocence, que nos marcou e fez evoluir muito enquanto artistas.


Este primeiro trabalho conseguiu bastantes críticas positivas um pouco por todo o mundo virtual. Há alguma faixa que destaques de todo o conjunto?

Realmente foi uma surpresa bastante agradável ler essas reacções, sem descurar é claro a enorme expectativa que já tinha perante o registo. Posso apenas destacar a faixa Angel of Sin e In Nomine Dementia, que acabaram por ser os temas que maior feedback receberam por parte do público.


Com este trabalho, os Darkside ficaram conotados com o estilo Symphonic Black Metal. Concordas com esta conotação?

Compreendo que estejamos associados a esse sub-género pela sonoridade que empreendemos em “Infernum Liberus EST” e por aquilo que procurávamos trazer para a banda. Creio no entanto que resumir os Darkside of Innocence ao Symphonic Black Metal acaba por ser redutor da música que tocamos e se eu já achava injusta essa conotação pela diversidade de elementos que incluímos no álbum, acho que o próximo registo demonstrará de vez e no fundo o que quero dizer. Daí termos ascendido a um novo género musical ao qual nos associamos hoje em dia chamado “Gnostic Metal”!






Agora, estão a trabalhar no álbum que se segue e já avançaram o nome. Porquê Sephiroth Complex?

Esse realmente era o nome avançado para o novo longa duração dos Darkside of Innocence e aquele que encontrara para melhor explicar em que estaria envolto o nosso próximo lançamento. Contudo decidimos repensar esse nome devido a algumas situações, o que faz com que esse ainda não seja o nome definitivo. Não obstante essa situação, o nome revelaria o que o álbum será; uma profunda introspecção ao ser humano na sua verdadeira essência e ideal. Sephiroth, segundo a cabala, é neste caso a árvore da vida e representaria o ser humano na sua demanda pela noção de eternidade. “Sephiroth Complex” explicaria a estrutura complexa que esse ser humano é e a batalha interior entre o ID e o Superego com que ele se depara, até chegar a Arcádia – ou neste caso o paraíso prometido. A tal noção de eternidade que mencionei a cima.


Este novo álbum irá seguir a mesma linha do primeiro em termos de sonoridade?

Em quase nada terá a ver com esse álbum e poucos serão os elementos de “Infernum Liberus EST” presentes no próximo álbum. Acho que é uma questão de ouvir o que temos para mostrar brevemente.


Diz aí uma grande razão para os leitores do nosso blogue se darem ao trabalho de ouvir Darkside of Innocence.

Não creio que haja uma grande razão para ouvirem Darkside of Innocence. É claro que convido as pessoas para conhecerem a música que fazemos e se gostarem, é sempre muito motivador para nós!


Obrigado Pedro pela disponibilidade, e boa sorte com a banda! \m/

Muito obrigado eu, pela excelente entrevista! Sem dúvida alguma bem estruturada e muito interessante! Parabéns pelo blog.

Que Sophia esteja convosco,
Darkside of Innocence – Sophia’s Heirs.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Entrevista - Löbo


Olá Löbo. Muito obrigado por disponibilizarem o vosso tempo para responder à nossa entrevista. Depois de muito suor, finalmente têm cá fora o vosso EP de estreia, o Älma. Como está a correr a promoção?

Neste momento estamos concentrados no próximos passos a dar mas, falando da promoção do Älma, acho que correu bastante bem. Foi um pouco atipica pois grande parte da mesma foi feita através da Internet numa altura que o EP ainda nem tinha saido. O que, apesar de tudo acabou por ser positivo pois permitiu criar um certo fenonemo (à nossa escala obviamente). Conseguimos tambem marcar bastantes datas nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março tendo promovido e dado concertos em praticamente todo o país. Acho que não poderiamos ter esperado melhor introdução aos Löbo e para o que vem aí.

Porque vos ocorreu organizar uma banda Metal meramente instrumental?

Não foi necessáriamente pensado. Os membros fundadores da banda (eu, o Luís e o João) já tinhamos tocado juntos e na altura curiosamente eu (NR: Ricardo) era o vocalista. Mas quis meter a voz de lado e focar me na electronica e, à falta de um vocalista (e no inicio também de baixista), decidimos começar a compor e a fazer música. Apesar ter sido acidental acho que tornou-se uma caracteristica da banda e permitiu-nos ter certas liberdades que não teriamos doutra forma.

Mesmo praticando um som instrumental, é de notar que as palavras estão bem presentes na vossa estreia. O EP tem pequenos textos que acompanham cada música. Sentiram-se na obrigação de os escrever, já que só tinham o som dos instrumentos, ou os textos são parte integrante das vossas composições, como se o EP oferecesse essas duas dimensões artísticas para a apreciação do todo?

Acho que é sem duvida possivel apreciar o EP apenas pela música mas sentimos necessidade de ter uma voz. Não de um vocalista necessáriamente, mas algo que contextualize a música. Quase como um narrador. Penso que muitas bandas instrumentais, por mais que profunda seja a sua música e por mais brilhantemente consigam criar ambientes e cenários com a sua musica, nao conseguem contar uma história. Todos nós nos Löbo gostamos de ver os CD’s como conceitos e como peças num todo que contam uma historia. É aqui que entram os textos.

Sentem uma boa comunicação com o público, tendo em conta que a vossa arte é música instrumental? Como é que o público tem recebido a vossa música?

Acho que temos sido, sem dúvida, extremamente bem tratados pelas pessoas que ouvem a nossa música. Aliás, às vezes ficamos um pouco sem reacção. As criticas tem sido melhores do que albuma vez imaginamos e a nossa musica parece realmente dizer algo às pessoas. Para nós é o é o melhor elogio que podiamos ter. No palco a comunicação é praticamente nula mas foi uma decisão nossa. A performance e a musica em primeiro lugar e nós em segundo. Mas fora dela, apesar de os quatro não sermos das pessoas mais sociaveis, tentamos ser o mais comunicativos possivel.

E vocês como se sentem em palco a tocarem um som tão poderoso como o vosso?

À medida que as musica vão sendo tocadas vezes sem conta, seja nos ensaios ou em concertos, vão perdendo um pouco a sua carga emocional, dai o desejo constante de criar algo novo ou, algo que achamos raro e fazemos-o bastante nos Löbo, mexer na musica e arranjar novas maneiras de a tocar. Más é sem dúvida uma experiencia forte. Sem querer usar o termo espiritual, penso que todos nós, durante aqueles 40 minutos fazemos parte de algo superior ao que vivemos no dia-a-dia.

Porquê Löbo? Podem explicar o que está por detrás da escolha do nome da banda?

Não há grande explicação. O nome veio de uma altura em que eu, o Luís e o João andavamos a trocar musicas para tocar e lembrei um dia de dar ao nome do ficheiro de “Lobo” e o João na altura que estavamos a discutir nomes lembrou-se disso e sugeriu o nome. O trema é meramente estético. Acho que é daqueles casos em que a banda define o nome e não o nome que define a banda.

Para terminar, o que podemos esperar dos Löbo no futuro?

Queremos fazer mais um lançamento este ano e para o final do ano ou para o inicio de 2011 lançar o 1º album. Para além disso fazer estrada, muita. Com sorte queremos ainda em 2010 tocar lá fora.